A VILA MADALENA NOS TRAZ MUITAS SAUDADES ...
Século XIX, a Vila Madalena era o Sítio do Buraco do fazendeiro da região e de suas três filhas: Ida, Beatriz e Madalena, cada uma batizou uma região do sitio que mais tarde se tornariam vilas de São Paulo. (Dizem que um pedaço da Vila Madalena pertencia a Luís Santos Dummont, irmão de Santos Dummont.)
Século XX surge a Vila dos Farrapos, produtores rurais, pessoas de baixa renda, aqui só andava a cavalo ou a pé, pois as ruas eram de terra, mas já surgiam os campinhos de futebol e botecos, aqui virou o Risca Faca em virtude das brigas.
Em 1928 a Light trouxe o Bonde, a Vila loteada e imigrantes portugueses foram se estabelecendo por aqui e dá-se início ao desenvolvimento na década de 40, em 1949 surge a SAVIMA Sociedade Amigos de Vila Madalena, em seguida a criação da Paróquia no bairro, comandada desde 1951 pelo padre Olavo Pezzotti. O pároco impulsionou o bairro com projetos sociais e a construção da Igreja Santa Maria Madalena e São Miguel Arcanjo.
Onde hoje é o Fórum de Vila Madalena era o campo de futebol do time 7 de setembro, depois os campinhos foram para onde hoje são prédios do BNH. A diversão dos moradores e amigos eram nos finais de semana com os três campos de futebol, onde a atração eram os times do Leão do Morro, 7 de setembro e 1º de Maio.
Já caracterizado como um bairro de classe média e com desenvolvimento considerável, o bairro só perdeu sua tranquilidade quando foi “invadido” por estudantes da USP (Universidade de São Paulo), na década de 70. O Empanadas e o Bartolo, por exemplo, eram bares de estudantes universitários e secundaristas.
Bailinhos todos os finais de semana na casa de algum morador, vitrola a toda força, grupos de dançarinos e namoros atiçados por músicas maravilhosas da época.
O pagode começou no Bar do Burú, na rua Purpurina com Girassol. Lembro que íamos jogar futebol e voltávamos diretamente para o Bar, onde faziam um pagode de primeira. Tocavam por lá, Fundo de Quintal, Dona Ivone Lara, Reynaldo o príncipe do pagode, Digê e tantos outros ...
A Vila foi se reestruturando, atendendo às necessidades dos estudantes de comercio, lojas e, claro, bares. Morar e frequentar a Vila era fazer parte de uma agitação cultural e intelectual.
Dos anos 90 em diante, a Vila sofreu grandes transformações tanto nos moradores quanto nos frequentadores. Chega o boom imobiliário.
Hoje o bairro é formado pela classe média e alta, lutamos para que não se transforme numa selva de pedra. A cultura, a arte, o comércio e a moradia fazem parte desse pedacinho de São Paulo. Achar o equilíbrio entre tudo isso é fundamental.
Cassio Calazans de Freitas